Uberaba

Marco Nalesso | Amerê Coletivo

Uberaba. Terra do zebu. Terra do Megalozebu, coletivo que anda tomando de assalto a cena cultural da cidade. Essa gatorada dominou um teatro antigo e magnífico, e foi lá que aterrissamos ainda novatos, no segundo dia de nossa missão.

Mesmo com a expectativa alta, cada um que passava soltava uma exclamação quando adentrava o espaço. 1200 poltronas, coxias, cortina, luzes, palco para uma ópera, camarim com piso modernista e tudo que tínhamos direito.


Logo o camarim cheirando a mofo foi transformado em um QG de nosso projeto de comunicação. Nilo, o baterista do Aeromoças, começou a editar o vídeo que virou o episódio 1 da Tour TV. Hoollis, o tecladista, assumiu as fotos e já começou a editá-las também. Eu passei a tarde remixando a “vamos dar mais uma” do Macaco Bong para o vídeo de divulgação do Festival Fora do Eixo, que começou como um projeto despretensioso de viral mas acabou entrando nos intervalos da MTV.


Com o segundo dia consecutivo de pizza já poderíamos inaugurar o nosso guia de culinária on the road. Pizza de Uberlândia: 2 estrelas. Uberaba: 4 estrelas.

Começou o show do Aeromoças. Já na segunda apresentação deu para perceber que a turnê é um tubo de ensaio para as bandas. Testam-se resultados a partir da variações de fatores de público, tamanho de palco, luz, acústica, níveis etílicos…

Com o público mais distante, naquele clima mais solene difícil de desmanchar de um teatro grande com palco italiano, é claro que você sente a música de uma maneira diferente. Você não se empolga e é levado a pular pela massa humana que te envolve como em um inferninho, mas tem espaço para perceber arranjos, sacadas nos versos, a inteligência musical que foi depositada ali.

Foi nesse modo mais mental que acompanhamos a apresentação dos garotos de São Carlos. E não pense que estou dando voltas para construir um eufemismo para show desanimado. Quem já prestou atenção no som dos caras, sabe que eles merecem uma audição com esse tipo de atenção. Quem ainda não o fez pare de perder tempo e vá agora para http://www.myspace.com/aeromocasetenistasrussas.

Fuzion, rock, groove em fusões inusitadas. Aposto todas as minhas fichas nesses caras e dou um presente a vocês, pra ninguém dizer que não é bem tratado aqui no blog da tour: a gravação ao vivo da música Kirilenko, uma homenagem à tenista russa cuja foto segue abaixo. A música é a minha preferida da banda. Acho que o teclado lembra o auge do Killers, aquele som que te dá vontade de descer do ônibus para poder pular. A guitarra contrasta com uma densidade que aponta para baixo, que por sua vez lembra interpol. Percebam que o som está à altura da beleza da homenageada:


Aeromoças e Tenistas Russas – Kirilenko, ao vivo em Uberaba


O Porcas veio na sequência e aplicou sua iconoclastia contra a pompa do teatro. Basta dizer que na última música o público estava em cima do palco, tentando soltar o corpo para dançar de maneira condizente com o som da banda.
A noite acabou com metade da galera caindo na balada do Café Cultura, onde rolou Pearl Jam a noite toda. A outra parte da galera jogou conversa fora sentado na calçada em frente à casa da Letícia até as 5 da manhã. Nessa conversa a Letícia pescou que os paulistas estavam a fim de aproveitar o baixo custo das churrascarias da região. Resultado: Acordamos com carvão queimando no dia seguinte. Foi o momento em que aqueles que acreditavam perder um pouco de peso com a rotina pesada da tour perderam a esperança.


Valeu, Uberaba!

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