Franca

Marco Nalesso | Amerê Coletivo
Estrada de novo. Mais 150 km no contador do Edenilson, que está se acostumando rápido com essa galera. Já contou todas as histórias da banda Nota Promissória, um grupo de  meninas de São Carlos que anda tocando Guns’n’Roses no Raul Gil. Um banner com as garotas fazendo poses descoladinhas cobre a traseira toda da nossa van, o que faz com que muitas pessoas olhem curiosas para dentro quando passamos. Nos divertimos imaginando a decepção.

Em Franca, depois da passagem de som, Edenilson já estava falando sobre a própria vida na república dos Guerrilha Gig. Contou que é motorista há 20 anos, que já puxou geladeira, enfrentou pororoca na Amazônia com o caminhão em cima da balsa e viu marmanjo rezar de medo. Dali foi parar nas histórias que Danislau conta no palco. É o chefe da comitiva da espaçonave da Xuxa que foi locada para ir buscar as duas bandas depois das apresentações.

Bem, de volta ao Mestiço Bar, a noite de sábado começava bacana, balada querendo pegar. O Porcas desta vez iria abrir para o Aeromoças, e antes deles tocaria o Projeto Paiero, um rock sem frescuras, com muita solidez e ainda pop – nesta ordem. O público se lambuzou com o som, se chacoalhou e gritou o mais alto que pode. Você confere uma pequena amostra em myspace.com/projetopaiero.

O Porcas pegou a pista já quente, e logo depois iríamos descobrir que o público de Franca é mesmo inflamável.

A performance cambalhotística do Porcas se espalhou pela platéia. Os movimentos pelo ambiente foram ficando cada vez mais estapafúrdios. Cadeiras começaram a se tornar parceiros de dança e outras metamorfoses e transubstanciações tomaram conta do espaço. Por determinados instantes, a espaçonave da Xuxa ameaçou pousar ali de verdade.

Na sequência Aeromoças e Tenistas Russas foram consagradas por esse terreno fértil. A coreografia continuou com seus bichos estranhos e não parou até o fim. Um show com uma jogação rock’n’roll do pessoal de São Carlos.


No dia seguinte, um digno almoço de domingo. “Eu não comia champignon fazia mais de ano”, chegou a ser confidenciado. Mais um atentado contra quem pensava em emagrecer.

Antes de nos despedirmos, o pessoal do Guerrilha tentou explicar a doidera peculiar que assola Franca misturando física quântica, sociologia pós-moderna, pajelança e, é claro, semiótica.

Tiramos uma foto de time de futebol com o banner da Nota Promissória ao fundo e aceleramos de novo.

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Uma resposta para “Franca

  1. 3 Shows absolutos. Valeu demais a trip aqui de Minas Gerais. Um salve do coletivo beerock. #tamojunto @mondegrass

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