São Carlos – dia 2

Segundo dia tumultuando a sede do Massa Coletiva: malas, colchões e toalhas secando por todos os lados. Mais um almoço no self-service dos amigos, com preço fechado de R$  9,20 por pessoa, incluindo sobremesa e suco. Mais um pouco e São Carlos corria o perigo de ganhar moradores bizarros, que já estavam se acostumando com a vida por ali.

Ao lado do Fora do Eixo Minas, o Massa Coletiva foi quem articulou a organização da turnê entre os coletivos de cada cidade. O intuito foi experimentar as rotas que ligam Minas a São Paulo, importantes para a circulação de bandas entre o Centro-Oeste, o Sudeste e o Sul. Além disso, a localização de São Carlos, bem no meio do estado, faz a sede do Massa ser o QG perfeito. Foi bom ficar esticar um segundo dia por lá.

Festa aberta, dentro do campus da UFSCAR, com cerveja a dois reais e o povo do Massa no bar, com direito a projeção do pessoal do CA da Imagem e Som sobre uma parede cheia de grafites. Do outro lado um bambuzal e no meio o Palquinho Maluco da Federal. Era isso que esperava a tour no segundo dia de São Carlos.

Durante a tarde, chegaram na rodoviária The Baggios, a dupla de Aracaju que segura sozinha um show de rock e blues e ainda canta em português. Julio e Gabriel chegaram calados para dar um tempo na sede do Massa. Dali um pouco Julio já tinha o violão da sala no colo e transformava o ambiente em um quadrinho do Robert Crumb. Jack, o Percussionista Louco, dava aulas de conga e entoava sua canção-manifesto, que prega que o samba nasceu em um navio negreiro.

Bora pra festa. No bar o mais difícil era negar-se a vender três cervejas por cinco reais. Fazer o baú esvaziar era fácil. A banquinha, com discos, camisetas e adesivos estava cenicamente previlegiada, com a projeção de pano de fundo e ao lado do equipamento do Dj Jovem.

Daquela réplica do painel da Interprise irradiavam os sons da Discotecagem Radiofônica Independência ou Marte, e o público tentava decidir se caía na batida ou fazia charme até um pouco mais tarde.

Os baggios começaram sua quebradeira com esse público pequeno mas que rapidamente quebrou sua reticência. Cara, você gosta de carpacio? Os Baggios são a carne crua do rock. Proto-rock, meio blues, sem baixo, cantado em português rasgado.

Mesmo em uma terça-feira, era já mais de meia-noite e o público não parava de aumentar em número e intensidade. Muita gente de cara com a solidez do som que brotava de só duas pessoas sobre o palco, outros apenas uivando ao fim de cada música.

Mais uma vez a batida brasuca do Independência ou Marte e então o Porcas no palco. Meu deus, que palco bonito, cara! O número de universitários enchendo a cara de cerveja não parava de aumentar, e agora todo mundo se divertindo muito com o som do Porcas. Naty, uma gatinha das Ciências Sociais, frisava que era de Uberaba e que já tinha visto a banda muitas vezes. É uma daquelas que dançam marcando território na frente do palco. E o Porcas seguia o show. Nas fotos o bambuzal se confundia com os dreads do baixista Tchelo. Jack, o Percussionista Louco, resolveu percutir nos bambus.  Sonzasso!

Mais um pouco de Independência ou Marte e todo mundo já estava em Marte mesmo e… Pronto! Chegou a vez dos Aeromoças e Tenistas Russas jogarem em casa. Cara, que palco lindo! O som mais instrumental e pirado dos caras nasceu ali naquela faculdade e tem tudo a ver mesmo com os grafites, as projeções, o palquinho, o público. Desde Franca que o monstruoso Jack estava dando uma canja com os aeromoças na Insonne. Nessa noite intensa, a canja acabou virando uma jam que passeou por vários estilos. Hardi soprava o sax. O Gu viu a guitarra ali sozinha e não pensou duas vezes. Talvez inconscientemente mal-intencionado, subi no palco para tentar captar aquele quebradeira com umas fotos e dei de cara com o set de percussão vazio. Jack passou do meu lado indo espancar sua lata de tinta vazia no meio do público, e eu não resisti: perguntei se podia batucar também. No meio do seu transe ele me mandou tocar logo e eu fui em frente. U-hu! Momento único, nunca participei de uma sonzeira daquela.

Dj Jovem ficou lá aplicando doses de funk carioca, rap-pancadão e outros venenos na galera que já estava do jeito que o diabo gosta, e nós passamos um tempo tentando ir embora. Carregar a vã, dormir, acordar, almoçar, viajar…

Anúncios

Uma resposta para “São Carlos – dia 2

  1. Hahaha gabriel,meu amor, você está realmente apaixonante nessa foto!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s