Bauru

Mais uma parada estratégica

Uou. Devo dizer que não é só para as bandas que a tour é um laboratório. A começar pela  decomposição do que chamamos de semana. Eu sempre tive a pira da cara que um determinado dia da semana tem, que marca o clima desse dia mesmo quando você não está atento a isso.
Por exemplo, por mais que você esteja trabalhando como se fosse uma quarta-feira, como esquecer que é domingo a noite, como não sentir aquele ar meio pastoso de fim-de-semana terminando? Bem, talvez eu tenha me acostumado a ler estes sinais no ambiente paulistano – lá quando você esquece que dia é, o estado do trânsito, congestionado ou tranquilo demais, o movimento nas calçadas, a gritaria por causa do jogo na tv ou qualquer outra coisa te lembram rapidamente.

Enfim, a questão é que como poucas vezes se fez irrelevante o fato de ser segunda ou sábado. Prevalece em qualquer dia o ciclo apontado por Jack, o Percussionista Louco: passar o som, tocar, carregar a van, dormir, acordar, almoçar, viajar, passar o som. Uou, to ficando zonzo.

Bem, chegamos em Bauru. Olhando na agenda da tour, esse dado geográfico me faz lembrar que é quinta-feira. Clima nublado, que anuncia a tempestade que cairia pela noite. Chegamos na Central, república famosa em Bauru. Nas paredes da sala, uma exposição de assinaturas e frases espirituosas de moradores e visitantes, alguns deles do Circuito Fora do Eixo, como Nevilton.

No primeiro andar um banheiro interditado, apelidado de Barra Funda em homenagem aos sanitários públicos da estação rodoviária de São Paulo. Uma casa grande, muito bacana, bem no centro da cidade. No quintal, os tradicionais troféis: cavaletes de trânsito, um orelhão. No andar superior, 3 quartos e uma biblioteca circulante de Playboys que, segundo a Isis, curiosamente voltam sozinhas para a pilha na pia do banheiro. Dentro dos quartos, montes de malabares.

Pouco depois que chegamos, os malabaristas que trabalhavam em um semáforo pelo qual passamos chegam na casa. São os colegas de república da sede do Enxame Coletivo. Cobrindo toda essa história, uma gigantesca trepadeira elefante, a argyreia nervosa. A planta parece mesmo querer encobrir totalmente a casa. Os moradores relataram a impressão de que quando isso acontecer, a planta irá puxar a casa para debaixo da terra, algo como no filme A Coisa.

Pela primeira vez nossa chegada parece não ter alterado a dinâmica de algum lugar. Rodas de conversa em diversos cômodos da casa, dois caras no corredor se arrebentando na mais nova versão do Street Fighter, quilos de sanduíche na cozinha..

Algumas horas depois nos dirigimos ao Madame Pimenta, o espaço de shows do dia – debaixo de bastante água, frise-se. O Madame Pimenta é um espaço bom, com pista e bar grandes, mas que não costuma receber eventos de rock, muito menos rock independente. Concorrendo  com um show do Jorge Ben no Sesc de Bauru na mesma noite, foi um sucesso receber um público razoável, que não chegou a lotar a casa mas mostrou disposição – principalmente as meninas da linha de frente.

Para além das garotas dançando, o destaque dessa noite ficou para o cruzamento entre as bandas – uhu!

Começamos com a participação de Hardi dos Aeromoças e seu sax, adoçando a aspereza dos Baggios.

Na seqüência, a participação do amigo Vinícius Nardi, da banda Almight Devildogs, de Bauru, na música Sex Suggestion (Motel Version) dos Aeromoças. As duas bandas já tocaram juntas. Foi quando Nard ajudou a escolher o nome da música. Esta foi realmente especial:

A apresentação dos Aeromoças e Tenistas Russas, na música Insomne, foi invadida também pelo incrível Jack, que advertiu: “Cuidado que são bruxos!”

Segura essa:

E para fechar, Julio dos Baggios e Hardi e seu sax entraram na bagunça da Sunday, dos Porcas Borboletas.

Festa boa, pra ninguém botar defeito.

Cássio Abreu, fotógrafo de alto calibre, compareceu, e produziu um ensaio imperdível. Para conferir, clique aqui.

É claro que Bauru, a cidade sem limites, não poderia deixar por menos. Depois dos shows, a noite continuou até virar dia na Central. Muita gente e uma roda de violão na sala. Tomei lições básicas de digiridu – sim, consegui fazer algum som, ou pelo menos pensei na hora que consegui. Depois começamos a fazer versões em samba de Iron Maiden – Bring Your Daughter to the Slaughter ficou ótima – e por ai a coisa foi. Às oito da manhã alguns sobreviventes foram comer bolovo no boteco da esquina.

Valeu, Enxame!

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