Começou

Gabriel Ruiz | Enxame | Tour Minas-SP

Cheguei à rodoviária de Bauru 2 minutos antes do ônibus sair. Duas mochilas nas costas, uma sobre a outra. Acomodei-me na 27 e conectei o laptop ao 3G para terminar a articulação da tour. Incrível estar dentro de um ônibus plugado a rede trabalhando. Foi de suma importância para acertar detalhes e redigir e-mails imporatentes, já que fico duas semanas ausente. Em pouquíssimos trechos a conexão caiu e 3h depois desembarquei. 15h, calor.

Araraquara é uma cidade de aproximadamente 200 mil habitantes que tem forte tradição com eventos culturais. Em uma conversa informal antes da 2ª Noite Fora do Eixo começar, a secertária de cultura local, Euzânia Andrade, garantiu-me que semanalmente é possível encontrar boas opções artísticas. A cidade possui dois museus (MIS e Arqueologia), além da construção do terceiro, o ferroviário. Euzânia discorreu também sobre o Teatro Municipal e seu alto custo de manutenção. Por outro lado, o Municipal é um dos mais modernos da região, em termos de estrutura e capacidade, “acho que aqui na região, perdemos apenas para o de Campinas”, acredita.

Trocas solidárias

Em uma apresentação em 2009, Euzânia alugou o espaço do Teatro de Arena sem custo nenhum para um grupo musical. “Mas, em contrapartida, pedi ao artista que doasse algo à secretaria de cultura”, conta em detalhes postada em sua bota de couro preta, calças coladas jeans e óculos preendendo o cabelo moreno que não chega ao ombro. A Cultura então, ganhou dois CDs-J, avaliados em R$1500 cada, segundo ela. Foi a brecha que Caiubi, do Colméia, precisava.

Ele aproveitou a conversa para falar sobre uma possível parceria no Araraquara Rock – tradicional festival local, previsto para julho, que chega à oitava edição em 2010. A ideia do coletivo é oferecer trabalhos como por exemplo, divulgação e cobertura fotográfica e em troca de explorar o bar do evento. Euzânia nos deu tchau e saímos dialogando sobre as parcerias… na interação com a secretária, Caiubi diz que nos anos 80 Euzânia participou de movimentos culturais e políticos relevantes em Araraquara e, segundo ele, essa seria uma das razões para o amplo apoio da secretaria ao coletivo.

Quem também participou da conversa, calado, é o seu Paulo, funcionário do Teatro de Arena, que utiliza máquina de escrever até hoje. “Pra se comunicar por e-mail, a gente enviar sinal de fumaça”, diz. “Gosto desses eventos, o Teatro está aí pra isso e esse pessoal sempre traz coisas diferentes pra cá”.

Tarde Fora do Eixo


A Noite FE em Araraquara aconteceu em um espaço público, o Teatro de Arena, firmando mais uma vez a parceria que o Colméia Cultural desenvolve com a secretaria de cultura há cerca de três meses. O Teatro de Arena é uma espécie de anfi-teatro, com arquibancada bastante inclinada e oval. A acústica é extremamente agradável e os arredores são revestidos de área verde e paredes grafitadas. Mas como o espaço é bem amplo, precisa de muita, muita gente pra encher.

Previsto para inciar as 17h – horário em que a segunda banda, o Burro Morto, passava o som. Pouquíssimas pessoas presentes. Gustava, do Massa (que também circulou na última #foradoeixotour Minas-SP, com @porcasapasseio e @aeromocas), constatou que o tempo total da passagem durou 2h e meia. “Cara, a gente vai precisar ficar atento, se possível deixar a percussão montada no show de vocês (Caldo) e otimizar ao máximo”, comentou com Paulo, baixista do Burrmo Morto. *lembrete mental: pilhar os músicos para agilizar o palco e cumprir o horário nas próximas cidades. Durante a passagem, aproveitei para conhecer cada músico, apertar mão-a-mão e explicar o trampo da cobertura. Um deles aproveitou, instantaneamente, para perguntar sobre os quitutes de Araraquara. “Não sou daqui, mas sei indicar alguém”, apaziguei. Passei pelo palco, enorme, e o Burro Morto se acertava com Gustavo e a qualidade estética se evidenciava, alimentando a minha crença de que essa será uma das tours mais fodas que os dois estados vão receber.

Raça

Logicamente, não é qualquer equipo de som que se encaixa no Teatro de Arena. Dessa maneira, o custo do evento aumentou consideravelmente, por conta do alguel, avaliado em R$750 mangos (sem somar os R$200 que cada cidade desembolsa para promover a turnê). Para a Noite FE, o coletivo conseguiu patrocínio de R$300 e apostou no bar para cobrir o restante. “Já estamos prevendo um pequeno prejuízo, que é normal pra correria que foi, mas a data e a tour eram importantes”, comentou Rafael Barone, do planejamento do Colméia, horas mais tarde atrás do caixa-banquinha do bar.

Depois de digitar impressões no camarim, tuitei o início do show do Caldo e corri atrás da câmera fotográfica do Colméia, que acabara de chegar. No caminho, algumas pessoas esboçavam passos tímidos e um garotinho, frenético, rodopiava. Estava só começando.

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