A noite do Palquinho Maluco na UFSCar

Gabriel Ruiz | Enxame | Tour Sudeste

“O som da Cabruêra nasceu daqui, de ambientes como esse” – comenta Arthur Pessoa, vocalista da banda, ao lado do bar improvisado, observando o show do Burro Morto. A afirmação fica evidente tão breve a banda sobe ao Palquinho Maluco da UFSCar, com Arthur puxando um repente veloz, improvisação pura, “embolação”, como ele diz . Nesse rítimo o show começa, prendendo a atenção no primeiro instante.

Surgem palmas da platéia. A banda vem junto, a segunda música é “Doce de coco” – olha o doceeeee, olha o doceeee – o céu está lindamente estrelado e brilhante. O clima frio deixa os universitários ainda mais charmosos, com chales, gorros coloridos e a pele rosada. “A juventude é maravilhosa”, ouvi alguém dizer. Passa das duas e meia da manhã, fritas na pista aos #sonsdaparaiba, bebendo cerveja, jogando fumaças pro ar, as pessoas se jogam, após as coordenadas do compositor da Cabruêra.  Forma-se uma roda, em seguida uma ciranda gigante, uma roda dentro da outra e agora a roda-humana gira esquezofrênica com um pé só, imitando o Arthur lá em cima. Confesso que deu vontade de integrar aquele momento colorido.

Desfeita a ciranda, as danças permanecem, na frente, lá atrás, do lado… gotas de água caem do bambusal que decora o fundo do palquinho, mas não é chuva, a planta pinga mesmo. De trás dele, sobe a massa. Os músicos contrastam com duas luzes coloridas, produzidas com filtros caseiros, de celofani e com a parede lateral, grafitada, repleta de cores.

E a Cabruêra apronta mais uma, com o suporte do Daniel, do Burro Morto. Como também aconteceu em Araraquara, na música “Carcará”, Arthur sobe em um dos PAs, com o Daniel fazendo a segurança. De lá de cima ele avoa, avoa e leva consigo os pescoços. E se a dança está perfeita, começou com a apresentação do Caldo de Piaba, a primeira banda da noite e pela segunda vez em São Carlos (a primeira acontecem em novembro de 2009).

Na terceira faixa, as garotas da linha de frente flambavam olhando os próprios pés, remexendo, virando, jogando os braços pro ar e trocando olhares entre si, alegres. O público aumentava. E o número de pessoas que se entregava a dança também. O Caldo tocou bastante e como já vem fazendo desde Araraquara, encerrou o show com “I want you (she´s so heavy)”, dos Beatles. Instrumental é claro. Finalizada a apresentação, DJ Jovem soltou mais instrumentais dançantes, mantendo a pegada da banda acreana.

Entre os dois shows, o Burro Morto subiu. É de se prever que a esta altura – perto da segunda hora da manhã – a maioria daqueles jovens já estavam malucos. Muitas cabeças balançando suave, levemente, olhos fechados. O som está  mais denso, várias composições novas da banda como “Baptista, o Maquinista” e “Kalakuta”, além das clássicas “Castelo de Pedra”, “Navalha cega” e “Cabaret”, dão outro clima ao evento. O Hard, do Massa Coletiva e vocal-sax da banda @aeromocas, comenta comigo de passagem, “cara, que absurdo, sou um privilegiado, aqui, agora” – e sorri gostoso. O Burro Morto é hoje um dos artistas mais ricos da cena indie nacional. Algumas das influências do quinteto ajudam a traduzir a constatação: afrobeat, psicodelia, jazz e groove. Na estrada com os caras, descobri de onde vem a água que eles bebem: Miles Daves, João Donato e Herbie Hancock, por exemplo. O show seguiu pegado, intencificando-se, cada minuto mais vibrante. E terminou com Leo dizendo que “viajamos mais de 2 mil Km para tocar aqui” – com um dos braços pro alto, punho cerrado, palheta na boca…

A noite teve ainda visitas ilustres: Talles Lopes e Biba (Goma), Conrado, Garboso (Colméia), Paola e Isis (Enxame), além de Pablo (Cubo). Hospedados por volta das 5h da manhã, nos dividimos (coletivos e bandas turnê) entre a sede do Massa e a república Cremossita, onde os ATR moram. Na manhã seguinte (quarta, 14/4) mais correria e almoço coletivo produzido por Arhur Pessoa, da Cabruêra.

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Uma resposta para “A noite do Palquinho Maluco na UFSCar

  1. A Passagemd das Bandas aqui em São Carlos. O Show do Cabruêra foi uma das maiores apresentaćões já vistas no lendário Palquinho Maluco da UFSCar.

    A convivência das Bandas na sede do Massa foi nota mil.

    A Turnê segue firme.

    Abrassssss

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