Em Campinas

Por Isis Maria Minera

17h horas deixamos os Tourton no Sesc e fomos pra Casa de Cultura e Política onde o Conejos se apresentaria. Era a segunda vez que nos separávamos nessa viagem. E um lado meu sempre fica meio incomodada com isso, não sei se eles vão comer, sozinhos sem o motorista numa cidade que não é sua. Mas essa mania de querer salvar o mundo das cáries me acompanha desde sempre e é dificil de mudar. Mas deu tudo certo.
Lá na Casa de Cultura, que abriu o espaço pro pessoal do Ajuntaê receber a #FalsosTOURtons, descobrimos ser uma casa militante, segundo o próprio apresentador da noite, onde as pessoas se reunem pela arte e pela discussão política. Cheio de cartazes de luta das mulheres hondurenhas, dos negros, dos trabalhadores e de momentos históricos, era um lugar bem bonito.
É engraçado como as pessoas quando se aproximam dos Conejos começam a falar um espanhol que não existe e como o jeito dos meninos recifenses contagia demais. Somos três sotaques, os meus erres sempre repetidos, mais forrrrçados do que são, e todos uai são seguidos de um because. Coisas que a intimidade faz por você.
Entre uns curtas que a AAMISC (Associação dos Amigos  do Museu da Imagem e Som de Campinas) passou por causa da mostra de que vai acontecer, Conejos se apresentou  no escuro, fazendo as fotos ficarem bem artificiais por causa do flash e por não ser nenhuma fotógrafa profissional. Eu achei muito bom, como de costume algumas pessoas vidradas e outras se mexendo muito, mas eu fiquei sentada, corpo meio estranho, pesado.
Depois deles outra banda se apresentou, mas o som estava muito alto e fomos pra rua, esperar os Tourtons chegarem do Sesc, e assistimos o debate mudo num boteco com algumas Itaipavas. Quando os meninos chegaram, disseram que o show foi bem legal, não muito cheio e com um pessoal mais velho, mas que foi massa. Não cabeleira altíssima, mas massa.
Ai começou uma das cenas que nos renderiam risos por dias: conhecemos a menina que nos hospedaria (eu e Conejos), Luana. Falando inglês, francês e espanhol, ela nos levou pra casa, a duas quadras do local do show e nos convidou para ir a um ateliê, onde as pessoas que estavam na Casa de Cultura iriam continuar a noite. Eu e Juan estávamos sem condições, beirando o mal humor de cansaço, Matias e Leandro ainda tinham um gás. No apartamento com uma vista, segundo Juan, que parecia Copacabana, por causa de uma fila de palmeiras muito altas, ouvimos Chico Buarque enquanto Luana não parava de oferecer coisas e de pilhar a saida. Apenas Matias se aventurou a andar as 7 quadras, que nas contas dela davam 20 minutos. Inquieta demais, nos fazia gargalhar falando as três línguas, inclusive comigo, até eu pedir pra ela falar português, porque eu não era estrangeira. Assistimos um filme bizarro, recomendado pelos companheiros de apartamento.
Acordados pelo frio e chuva, fomos almoçar e vimos que Luana é daquele jeitinho mesmo, não era álcool. Enquanto isso, Tourtons e André, hospedados em outra casa, demoravam a chegar. Quando chegaram, com 1h30 de atraso, porque o almoço não saia, descobrimos que eles até se divertiram com os donos da casa, mas ficaram sem água, sem energia e almoçaram pão com feijão, abacaxi, soja e pimenta. A seco. Meu incomodo do dia anterior e um pouco de vergonha alheia me faziam querer entrar num buraco naquela hora. Paramos na estrada pra comer de novo, de verdade, já a caminho de Uberaba.

Matias, Falsos Conejos

Casa de Cultura e Política

Chegando no SESC Campinas

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