Em Cajazeiras

Por Isis Maria Minera

Acordamos e fomos pra estrada, comeríamos no caminho mesmo. Neco, exímio conhecedor das estradas e de histórias do Nordeste, nos indicou um lugar barato demais, onde comemos bem e o motorista não paga.

No caminho, histórias sobre dinossauros e a paisagem mudando novamente, cactos cada vez mais presentes e uma estrada judiada, esburacada, que Neco dominava.

Chegando em Cajazeiras, tinhamos o nome do lugar ao qual devíamos ir, mas por uma pequena confusão, fomos parar do outro lado da cidade, não que fosse muito longe do destino original. Encontramos Osvaldo de moto na rua e o seguimos até a casa de sua mãe, onde jantamos. Frango, arroz, feijão, batata doce e uma farinha amarela com carne seca. Estamos todos mais gordinhos desde que começamos a rodar. Naquele pedacinho da cidade fica uma praça, que não parece uma praça, que é conhecida como Leblon, por causa da vista que tem pro outro lado. Garotada reunida ali, panfletando sobre um concurso de Bboys, bancado pelo Fundo Municipal de Incentivo à Cultura e Osvaldo me explicou que ali o Fundo funciona bem, e que ele agora tem cadeira estadual no Conselho de Cultura. Como ele mesmo disse, o sertão representando.

Fomos pro Danda Hotel tomar banho e fomos pra NEC – Núcleo de Extensão Cultural da UFCG onde eram os shows. Universitários sim, mas não sua grande maioria presentes, mas muitos jovens da cidade lá, numa espécie de praça, com um palco e de frente pra ele um pequeno parque, com chão de terra, cheio de árvores, mesinhas de concreto e um bar, parecido com esses quiosques de praia.

Osvaldo falava muito de como estava contente e de que isso fazia um bem grande pra cidade, que agora estava no mapa do estado, como ponto de circulação, após ter sido aderido ao Fora do Eixo, que ia fazer o sertão se mostrar. E realmente, ali, a coisa flui. Era o 13° Caja Rock, com público fiel, que batia palmas e soltava uhus após as palavras dele, que anunciava o Rock Progressivo que estava por vir, e prometia uma noite de som pesado.

Com uma certa distância do palco, as pessoas se balançavam ao som d’A Banda de Joseph Tourton, e em uma em especial, no finalzinho, rolou até uma rodinha de pogo. Enquanto conversava com Osvaldo, uma garota foi elogiar o som. Em seguida, no show do Conejos, mais pesado, as pessoas, em especial um grupinho todo de preto e com muito álcool nas mãos e na cabeça ficou colado ao palco, batendo a cabeça como num show de metal. Moshs rolaram o show todo, e foi o público que mais combinou com a performance de Juan, o baixista inquieto. Foi bacana ver a empolgação e os pedidos de “mais um”. Estimulante. Nunca conte os ovos antes da galinha botá-los, você pode ser surpreendido.

Algumas cervejas mais e cama. No dia seguinte, partíamos pra última data na Paraíba, Festival Mundo, em João Pessoa.

Pequenos do público de Cajazeiras

A galera que mais curtiu os shows

 

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